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Eu
sou veterinária, mas mesmo antes de iniciar minha carreira
sempre estive envolvida com criação de cães. Quando adolescente, eu criava
Yorkshire Terrier, raça predileta de minha mãe. Porém, como toda criança da minha época,
às tardes eu assistia os filmes da Lassie, aliás, bons tempos aqueles. Eu
sempre tive loucura para ter um Collie, contudo, a minha casa não era grande
e minha família gostava apenas de cães pequenos, e essa vontade não pode ser
satisfeita.
Eu sabia da existência do Pastor de Shetland, porém, nunca tinha visto um pessoalmente.
Passaram-se os anos e um belo dia eu vi, no Hospital de Veterinária da USP, uma senhora com um Sheltie, foi o meu primeiro contado. Não perdi tempo e, na hora, fui conversar com ela. Essa senhora me deu o telefone da Dona Virgínia e do Toninho, pioneiros na criação do Sheltie no Brasil. Mas, como todo estudante que se preze, eu não tinha dinheiro suficiente para comprar um filhote. Os anos se passaram e eu sempre encontrava essa senhora, que me contava sobre os seus cães. Conversávamos muito e eu sempre comentava a minha vontade de ter uma "raposinha" dessas. Depois que eu sai da residência e comecei minha pós-graduação eu estava disposta a comprar um Sheltie. Eu queria uma fêmea e na cor Azul-Merle, mas era muito difícil encontrar uma cadela assim. Foi quando eu estava voltando da USP e vi, na avenida Juscelino Kubischek, um outdoor que dizia: "Filhote de Pastor de Shetland (Mini-Collie)" e um telefone. Aí, foi muita tentação! Eu cheguei em casa e pensei: eu quero uma fêmea azul-merle, se tiver outra cor eu não compro, eu quero uma fêmea azul-merle. Então, liguei e quem atendeu foi Cristiane Nano, proprietária do canil Von Kempten Bom, a primeira coisa que eu perguntei foi se ela tinha a cor que eu queria, e quanto ela falou que tinha três fêmeas azuis, corri para ver as filhotes.
Foi assim que tivemos a minha primeira Sheltie, a Lady Zu. Comecei a freqüentar exposições de beleza e provas de agility. Depois dela veio a necessidade de ter um macho tricolor, uma das poucas cores que pode cruzar com o Merle. Nesta época, viajei para a França entrei em contato com Madame Thebault, esposa do presidente do Sheltie Club da França. Trocamos muitos e-mails e, após alguns telefonemas, chegou em minha casa um lindo filhotinho triclor bem brincalhão. Era o Thierry!
Thierry é um belo exemplar da raça que a cada dia me encanta mais, não só por ser bonito, mas pelo temperamento que tem. Ele adora brincar, fazer agility, se diverte com o frisbee e é muito dócil com todas as pessoas. É um cão que só nos dá alegrias. Ele, em um ano, conquistou vários títulos de beleza e ganhou várias competições de agility, Depois, vieram a Fly, irmã de ninhada da Zu, que era de propriedade de minha amiga Patrícia Crechi, e a Ully, francesinha com o Thierry, vinda do mesmo canil dele.
Sabemos que estamos engatinhando na criação desta raça fascinante, mas nosso objetivo acima de tudo é de ter uma criação saudável, para obter cães cada vez mais lindos, de boa qualidade, sem objetivos comerciais. Para isso, nós contamos com o apoio e amizade de outros criadores experientes, como a Cristiane Nano, Hilda, Paulo Moura e Anne, Olga e Cláudio, Dona Vigínia e Patrícia Crechi, assim como de criadores que estão iniciando como nós, como o Alexandre.